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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Somos Comunistas

Somos comunistas pois não há nada melhor a ser. Pois se houvesse, de certo seríamos.Não somos comunistas por fetiche, pela bandeira vermelha, pela foice e martelo, ou pela Internacional. Somos comunistas porque sabemos que é o melhor caminho para a manutenção e evolução da vida humana.Não somos comunistas pelo ódio ou por qualquer outro sentimento, que nos são naturais. Mas pela razão de sermos. Pela consciência. Somos comunistas e reivindicamos a tradição secular do marxismo, pois não só cremos, mas racionalmente aprendemos com o estudo científico e pelo acúmulo de toda produção do conhecimento humano, que a filosofia dialética materialista histórica é, ainda, a melhor ferramenta racional para a compreensão da realidade concreta. Reivindicamos a História como única base sobre a qual o Homem se desenvolve, e reivindicamos a sociedade como o único meio possível de sua existência, ser coletivo que é em essência. Acreditamos que essa mesma essência humana não pode ser facilmente definida, meramente com chavões e idéias retiradas do senso comum. Cremos que a essência humana, sobretudo, se constrói e se transforma na prática, na realidade concreta das ações e intervenções no mundo.Reivindicamos o Homem como gênero universal em suas igualdades e diferenças. Acreditamos que toda ação humana se dá coletivamente. E adversamente à idéia dominante, cremos que as categorias indivíduo e coletivo são inseparáveis e se encontram em relação imbricada e necessária, pois, de igual forma que não há coletividade sem indivíduos, se torna também impossível um ser humano apartado dos outros. Para além do conhecimento, ser comunista é sobretudo crer na transformação. Crer que a realidade existe pra além daquilo que está diante dos olhos acostumados. Crer que há um conhecimento acortinado pelas ideologias dominantes e que este mesmo conhecimento, uma vez tomado, é chave para as ações transformadoras.Ser comunista é tentar ao máximo ser consciente. É viver pela maximização do uso da razão em suas ações. Ter em mente que todas as suas ações produzem conseqüências no mundo, reprodutoras ou produtoras de velhas ou novas práticas.Temos o Homem como o verdadeiro centro da vida, objeto e objetivo, início e fim de toda ação e transformação prática. Ao invés das idealizações alienantes de deus ou do mercado.Somos comunistas porque acreditamos no Homem e na sua capacidade de organização. Acreditamos na democracia como única forma legítima de organização coletiva. E sabemos que um mundo dividido em duas classes, com espaços demarcados e cercados pela figura jurídica da propriedade privada torna a democracia inviável em sua natureza pela exploração e expropriação de uma classe sobre a outra. Por isso somos contra e divisão da sociedade em classes, pois cremos que a classe dos expropriados, dos explorados, a classe dos produtores, daqueles que com seu esforço e trabalho constróem a matéria do mundo, seja a única classe com legitimidade para existir, e para determinar seu próprio rumo histórico.

Bruno Dutra.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Um (ci)Clone Metalinguístico

Reflexos e Reflexões - Paulinho Moska
Diga aí amigo... Como vai você? /Estou aqui contigo /Você também me vê /Às vezes sou seu clone/E você é o meu/Não temos o mesmo nome/Mas nossa vida se perdeu/Em encontros e desencontros/Do mesmo sopro/Que atravessa eu e vocêSe estou contigo/É porque estás comigo/E nós não podemos nos perder

Que metalinguagem!!

Pra falar de Metalinguagem, nada melhor do que eu falar de mim mesmo, né?

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NÃO!

Há algo que me reflete mais! As pessoas que gosto... e a amizade.Eu vejo essas pessoas, vejo essas amizades, mas nada mais claro do que o reflexo delas em meu olho para me definir melhor.Minha ações, minha maneira de agir valem menos que grão de areia no deserto senão houver um amigo por perto. Um amigo para me aplaudir, me ensinar, me seguir, me aconselhar... enfim, pra compartilhar.Creio que umas das melhores sensações é que não importa como você esteja, não importa o que pense, um sentimento recai sobre nós e nos acalenta, nos fortalece e nos " faz existir".É o sentimento de que não estamos sozinhos, de que tem alguém pra estar ali com você; assim como você fará companhia pra alguém e, mesmo que não perceba, trará sentido pra vida dessa pessoa.Creio que não é preciso ver a pessoa... a amizade é maior que isso, e são passadas, sim, por olhares, mas também por vibrações positivas.Como é legal pra nós podermos falar a um amigo de uma realização positiva na nossa vida... tão bom quanto ouvir a realização positiva do amigo.Não por uma simples coincidência, isso se explica por que, de uma forma ou outra, mesmo que de uma maneira indireta, você participou disso na vida do seu amigo.A luz e o calor de uma amizade me atravessam, e por mais que haja perigos, desafios, problemas, nada me fará afastar deles, muito menos perdê-los, afinal... sem isso, não adianta e nem se consegue viverQue esse sopro de amizade ( que é o único tipo de furacão que não destrói.... só constrói) ventile nossas vidas para o todo sempre. Que esse meus clones, sempre formem ciclones!

Diego Sandins.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Nau Dos Loucos







Na antiga "Dark Age"(se me permitem utilizar esse termo dito por muitas autoridades como inadequada), os loucos - aqueles que não compartilhavam os pensamentos sociais comuns, eram banidos do convívio da cidade sendo enviados em uma nau aos montes e deixados à sua sorte. os contemporâneos dessa época utilizavam desse meio para lidar com algo que não lhes era passível de compreensão. A figura ao lado - de autoria do holandês Bosch, é talvez uma crítica contemporânea de sua sociedade, mostrando talvez que os loucos sejam outros (a exemplo dos padres presentes na nave). Digam-me: o que fazemos com "nossos loucos" hoje? A história se repete?! Ou se mantém?... Não é só com a loucura...




Ulisses Figueiredo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desejo e Prudência

A urgência para os que jogam amor, para os que estão em “estado de amor”, para os que amam, enfim, deve ser velada, implícita – jamais explícita. A urgência deve estar de tal forma implícita, a ponto de, ela, a urgência, transmutar-se, nesse mundo de sonho e representação necessária, em não-urgência. As coisas devem esperar. Ou não. Talvez nem precisem esperar, pois a esperança é algo bem próximo da tristeza e da agonia. E a urgência é como uma ejaculação precoce, como uma felicidade incompleta e precoce, como um amor precoce.
A vida e o amor são difíceis, mas isso não os torna menos belos. O que poderia ser mais enfadonho que um amor fast-food? A vida e o amor precisam de entradas. As pessoas não são hambúrgueres. Não são carne moída, como estudantes saídos do filme The Wall.
Contudo, como adaptar-se ao balé onde dançam no mesmo palco – ou pista – o desejo e a prudência? Qual a fórmula matemática dessa dança? Quem dita o ritmo da dança? O que se faz quando a vida chama pra dançar e não sabemos nada ou quase nada daquele ritmo? Cortamos os pés? Atiramos no DJ? Não sei. Que tal alguns primeiros passos prudentes? Que tal observar os grandes dançarinos, aqueles a quem, brandamente, invejamos? Talvez o doce da vida seja aprender a dançar.
Eles eram dois jovens artistas. Pelo menos viam-se como artistas – e o importante da nossa imagem está no reflexo que nós próprios vemos. Ela era, entre outras coisas, dançarina. Ele? Eu não sei bem que tipo de artista era ele. E acho que nem ele sabia. Acho que fotógrafo. Ele enquadrava as coisas como faz um fotógrafo. De toda forma, acho que sua arte era visual. Mas uma coisa era certa sobre o cara: ele não sabia dançar. Contudo eles eram artistas que não tiravam seu ganha-pão de suas artes. Certo dia eles se conheceram numa dessas boates da vida. Ele sabia que ela já havia estado naquela boate. Ela sabia o mesmo dele. Os dois, porém, não haviam tido a oportunidade de se conhecerem. Chegara então o oportuno dia. E ele perguntou: “Se você costuma vir aqui e eu também, é estranho que nunca tenhamos nos aproximado, não acha?”. Ela concordou, “sabendo” que as coisas não se dão por acaso. Passados alguns meses eles estavam falando sobre suas vidas na mesa de um restaurante como velhos amigos. E houve avanços no embalo das horas daquele belo dia azul, pois dali passaram, quase instantaneamente, de velhos amigos para um estado de infância, e permitiram-se deitar num gramado onde brincaram de olhar bichos nas nuvens. Ali, naquele gesto brincante, eles mostraram-se bons aprendizes. Virar criança não é, definitivamente, pra qualquer tipo de pessoa. Eles brincaram até o anoitecer. E até depois de anoitecer.
Muita coisa acontecera. O tempo passou e os jovens artistas continuaram jovens – e artistas nunca envelhecem –, continuaram artistas, e continuaram bons aprendizes, e bons brincantes. Então, juntos, produziram boa arte. E se ajudaram mutuamente a aprenderem coisas. Ele aprendeu a dançar e a ter calma no coração – e a não fazer tantos planos pro futuro. Ela aprendeu... Bem... Ela aprendeu muitas coisas a respeito de viver o grande barato de ser mulher e do poder disso. E eles não cansavam de aprender mil coisas, em delicada profusão de conhecimento empírico e sensorial. Sobre desejo e prudência, contudo, eles pouco puderam saber. Há coisas nessa vida sobre as quais pouco se sabe.


Luciano Fortunato.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um Beijo, Dani.

Então começa assim, quase no final do dia. O que aconteceu antes não importa dizer, só o trajeto que me fez terminar aqui digitando tudo isso. Eu saio do teatro e depois eu converso com ele sobre como foi e peça afogada, tenho muitos apaixonamentos diários todo mundo sabe, todo dia tem um monte deles. Na verdade só gostaria de escrever um dia comum, vivido como todos os dias comuns de pequenos milagres visuais e pequenos “p.s.:eu te amo”. No ônibus um menino lindo me cede o lugar ao lado de uma moça com uma cara debochada. O garoto senta com o pai atrás de mim, me apaixono. “Celular é bom porque a gente só atende se quiser! Ai desculpa”, a mulher fala pra mim e depois diz umas frases soltas “ele tá achando que é o último biscoito do pacote”, “eu liguei o dia todo e quer me procurar agora no final do dia?”, “ih, a fila anda meu filho”, me apaixono fácil por ela e digo quando ela vai embora “você é maravilhosa”, ela sorri e desce, continuo apaixonada no ônibus, mato amor por ela e sigo com outros. “Olha pai, tão vendendo aquele sobrado ali” [pausa] “aqui no catete? só se for pra montar uma casa de putas”. Matei ali, nem quis saber do resto. O ônibus vai ficando chato, quero descer logo, senta um cara do meu lado ao mesmo momento que começa uma discussão sobre o caminho do ônibus, central ou lapa? Eu pergunto pro cara e ele não me responde, fica impassível olhando pra frente. Me mata. A rua é sempre tomada de gente incrível, muito travestis legais, eu recebo um beijo de uma e retribuo “e ai, lindona!”. Adoro muito, meus apaixonamentos com eles vão durar pra sempre. Até que as doenças venéreas, o assassinato, o salão de beleza ou a velhice nos separem. De qualquer que seja o lado que tudo isso venha. Saudade do Pablo, uma criança com fome encostada na parede, uma foto tirada com lomo ia ficar incrível, tá eu sei, muito feio, mas eu trabalho com imagens, é isso e me deixem por conta das escolhas. Um homem com ferros enterrados na carne procurando carros para guardar, os mesmos mendigos que estão na mesma posição, sempre dormindo ou sentados na mesma posição, serão estátuas? Sempre me pergunto isso, porque a gente passa como se esse tipo de gente não se movesse, talvez sejamos medusas, de tanto olhar estranho acabamos congelando essas pessoas. E nisso tudo tem um apaixonamento estranho, porque eu não faço nada, só passo e pronto. Onde está o apaixonamento? Eu não sei, ou talvez esteja nas imagens, sempre elas, me torturando e me acalentando, nessa montanha-russa. Uma menina linda passa com vestido branco, eu compro uma coca cola e flerto com o atendente da padaria às 23h, ele sorri tão bom que é como se fosse o homem da minha vida. Ele não é lógico, mas foi bom. Putas na esquina, de frente ao batalhão de policia e três homens cochichando sobre elas, nojentos, ali não tem apaixonamento. Elas sorriem para os carros, putas de verdade, não as do cais de uma horita antes. Ainda existe obra na minha rua e minha vontade é de fazer um vôo de guindaste em plena madrugada. Volta o amor. Chego a casa pra escrever e percebo que eu não to sabendo mais como fazer isso. Desculpem se esse texto parece um tapa-buraco. Como as putas pro cara que não come ninguém, como me agarrar ao flerte com o atendente no balcão, o beijo do travesti que finge que me adora e eu acredito, a foto inventada da criança real [porque a gente vive inventando imagens e deletando o que nos aborrece] ou os apaixonamentos diários mesmo.

Danielle Ribeiro.
Próxima semana, dia 17/05: "A urgência deve estar de tal forma implícita, a ponto de, ela, a urgência, transmutar-se..." DESEJO E PRUDÊNCIA de Luciano Fortunato.