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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

De Muletas

Essa é a semana da minha estréia como colunista do blog. Aliás, é a minha estréia como colunista. Escrevo letras de música, projetos na área cultural, contos e outras coisas, mas nunca publiquei meus escritos em nenhum meio de comunicação, nem mesmo num blog. Por isso, estou muito feliz de fazer parte da família "Clóvis" e poder dividir minhas idéias com todos vocês, leitores. Infelizmente, pra mim, começo minha nova atividade revelando aqui as habilidades que adquiri nos últimos 23 dias, quando num jogo de futebol, quebrei meu tornozelo e rompi os ligamentos. Espero que ajudem todos vocês, leitores, a enxergar um lado positivo de estar imobilizado. Bem, pra início de conversa, essa infelicidade, ocorreu no dia 07 de Agosto e a cirurgia, a que fui submetido, aconteceu dez dias depois. À essa altura, você, leitor, deve estar se perguntando: "mas, que habilidades são essas, que um cidadão, operado do tornozelo, desenvolve em pouco mais de vinte dias?" Confesso, que minhas ordens médicas, foram para ficar em repouso absoluto, sem poder, em hipótese alguma, apoiar o pé esquerdo no chão. Então, para que não haja mais nenhuma áurea de mistério envolvendo o tema do meu texto, revelo que tais habilidades, são em relação ao manuseio das muletas, e como sobreviver nesta situação. Jogo futebol, praticamente, desde que nasci, e nunca, nunca mesmo, quebrei alguma parte do meu corpo, passei por alguma cirurgia ou levei algum ponto. Anestesia mesmo, só no dentista.Mas, desta vez, passei pelo pacote completo, uma espécie de "batizado" para sair dos "trinta" e entrar no "enta" (quarenta, cinquenta, sessenta, ....). E acho que pela primeira vez na vida, passei a dar valor ao meu corpo. Entendi o quanto precisamos de cada membro dele. É claro, que existem pessoas que já nascem sem algum ou que, por algum tipo de acidente, perdem alguma parte. Mas, vivem, normalmente, e felizes, na maioria das vezes. Mas, . . . . . . sem dor. Eu não perdi o meu pé, graças a Deus, mas, preciso de muito cuidado para me locomover, porque dói pra cacete!!! As duas noites que se seguiram ao pós operatório foram barra pesada. A primeira, ainda no hospital, precisei de uma injeção, do tipo "sossega leão" para conseguir dormir, e a outra, já em casa, não consegui pregar os olhos, mesmo a base de um coquetel de remédios, pesadissímos: cefalexina de 500mg, Voltaren de 75 mg e o PACO - paracetamol + fosfato de codeína de 530 mg. Todos esses remédios e mais uma rodada de cerveja, dá pra fazer uma viagem bacana, não? Mas, sai caro!! Bom, mas, vamos, ao que interessa. Uma das principais habilidades desenvolvidas, diz respeito ao equilíbrio. Hoje com o auxilio das muletas, sou capaz de subir e descer escadas, deslocar-me com tranquilidade por entre os móveis das sala, vestir a cueca ou a bermuda num pé só, e acho até, que me arrisco numa caminhada de 300 metros. Ou seja, se houver algum projeto do Grupo Corpo, para um espetáculo com bailarinos que se utilizam de muletas, eu me candidato!!! Também aumentei bastante a minha paciência. Numa situação delicada, como essa, ficamos reféns da boa vontade alheia. Por exemplo: eu moro numa casa com dois andares, onde a cozinha fica no primeiro e a sala, onde passo os dias e as noites, fica no segundo. Então, quando estou com sede ou fome, preciso que algum familiar, por gentileza, apanhe pra mim. Acabo vítima de inúmeras chantagens do meu filho mais velho, que insiste em trocar seus favores por coisas que o beneficiem. Tem que ter MUUUUIIIIITA PACIÊNCIA. Tomar banho, também exige algumas habilidades. E entre elas, se encontram algumas das já citadas: equilíbrio e paciência. Confesso que no começo, a dificuldade era tamanha, que cheguei a ficar dois dias sem uma ducha quente. Nada que tenha me deixado com um cheiro desagradável. Nas minhas condições, suar é quase um luxo. Ver televisão, também se tornou uma prática muito importante e, ao mesmo tempo, obtive uma constatação: não dá para viver sem uma tv por assinatura. Não há como depender, apenas, da programação dos canais abertos. Percebi que a televisão é uma companhia. É ela que está contigo nos momentos de solidão, nos momentos em que ninguém vem te visitar, nos momentos em que os parentes estão no primeiro andar e fingem que são surdos, quando você grita querendo algo. A televisão não te pergunta pela milésima vez, como foi que você se machucou. Ela é uma mulher bonita, gostosa e MUDA!! Há ainda, uma outra coisa que aprendi, e que considero muito valiosa para a minha vida: dormir sentado. Vocês não imaginam como isso me acrescentou.Por ter muitas dores ao deitar, encontrei uma posição confortável, no sofá da sala. Desde então, vivo ali. Sentado e com o pé para o alto, acordo, almoço, vejo tv, durmo e acordo, de novo, sem sair do lugar.Já adquiri, até um certo "apego" pelo local, e não sei, como farei, depois de curado, para voltar para a minha cama. E acreditem, não estou desenvolvendo nenhum tipo de problema na coluna. A vantagem dessa habilidade, é que não terei mais dificuldades em dormir em ônibus ou trens, ou mesmo, em reuniões ou palestras no trabalho. Desenvolvi também, elasticidade. Para ir ao banheiro fazer o "nº 2", por exemplo, não é nada simples. Pensem o seguinte: para se limpar, é preciso apoiar o peso do corpo no pé esquerdo, pois a mão que passa com o papel na bunda, é a direita, não é mesmo? Então, como fazer, se não posso apoiar o meu peso no pé esquerdo? Já imaginaram?!? Lamento amigos, mas, infelizmente, esse é um segredo que não pretendo revelar. Só digo que tem a ver, com elasticidade. O que certamente, me qualificaria como ginasta para as próximas Olímpiadas. Ginástica artística, é claro. FUI!!!!!!

Sandro Cortes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Olhos de Parede

Abro os olhos lentamente, em uma manhã de domingo quase gélida. Fico na cama sentindo a vida despertar em cada músculo de meu corpo, reavivando as sensações da luta cotidiana, travada no trânsito, nos trens, no caminhar frenético pelas ruas da cidade...
Tenho que encontrar uma maneira de filtrar, ou melhor, digerir tudo isso e transformar em algo positivo. Em energia motriz para continuar a luta pela sobrevivência, travada nas florestas concretas plantadas por nós homens e que a cada dia invadem vorazmente o verde que nos alimenta. É uma incrível, porém real, contradição de nossa parte, plantamos o que nos destrói, destruímos o que nos alimenta.
Levanto, ou melhor, sento em minha cama, pego minhas armas: notebook, rabiscos em alguns papéis que foram acumulados durante as sensações da semana, caneta, um copo de café. Com estas armas em punho, começo a transposição da matéria e crio minha válvula de escape:

Dias de fúria

Esmagados pelo sórdido cotidiano

Olhos, espectadores silenciosos da angústia

Dias sem cura
A sociedade adoece agonizante
Em sua louca correria

Assisto a tudo calado
Hermeticamente fechado
Sistematicamente isolado
Com meus olhos vidrados

Duvido da felicidade dos sorrisos
Mais parecem retratos amarelados
De vidas sem vida

Duvido da veracidade dos olhares
Mais parecem janelas abertas
Para negras paisagens

Busco um sopro de vida
Em existências precárias
Que nem percebem as feridas
De sua alegria fingida

Pobre de mim
Assistindo a tudo, de mãos atadas
Vivendo a agonia de minha alma calada.

Nada melhor do que transformar vida em poesia. Deixar fluir o que está contido e acumulado em cada entranha do corpo. Só assim consigo gritar o que está calado e ser ouvido bem alto!
E mais uma semana se inicia...A nave vai...


André Fraga.

Aluga-se...

Star Man - Jota Quest
Eu não vim aqui pra delirar/Neste lugar eu sou antena/falante, eu vejo tudo/Eu só vim aqui pra contemplar/Essa riqueza, água e fogo/Dividindo o mesmo mundo/Vivem sem se amar/Aqui a verdade é um absurdo/Sem tempo pra sonhar/E o sonho é o começo de tudo/Star man!!!/Star man!!!/Star man!!!/Star man!!!/Vi que aqui o certo/Não é nem de perto o correto/E o que gera sofrimento é o egoísmo burro/Lá na minha estrela há mudança/Movimento, dinamismo, alegria/Liberdade e sentimento/Vivem pra amar/A luz brilha mais forte onde é escuro/Há tempo pra sonhar/E o sonho é o começo de tudo/Star man!!! A poesia das estrelas/Star man!!! Dos cometas aos gametas/Star man!!! A canção do novo mundo/Star man!!! A poesia das estrelas/Star man!!! Dos cometas aos gametas/Star man!!! A canção do novo mundo/Star man!!! O universo que se sonha junto

Quanto deve ser um aluguel de uma casa na Terra, pra quem não é da Terra?Difícil saber.Vou alugar a minha, e como eu não gosto de viver no Mundo da Lua, resolvi morar numa estrela.Prazer... podem me chamar de Star Man.Aqui nessa estrela ( vou preservar a identidade do lugar, porque aqui parece um paraíso turístico... só que.. não tem ninguém), construí uma antena para ter informações da Terra, afinal, tenho que pôr minha casa na Terra nos Classificados.Como farei isso?Posso dizer que meus vizinhos não andam muito a fim de falar a verdade? NãoE dizer que eles estão muito preocupado com riqueza? Jamais, jamaisTalvez, falar que muitos dos meus vizinhos não ligam mais pros seus próprios sonhos? ah.... não!Eita.... fazendo assim quem vai comprar??A casa tá ótima, mas , po, com essa vizinhança e esse clima, ninguém seria " de outro planeta" a ponto de comprar a casa.Bem... vou me concentrar... deve ter algo de bom que eu possa falar da minha casa, a Terra.Ah sim...A minha antena começa a captar, o canto dos pássaros, e eles me lembram de alguns dias que eu tava com problemas e alguém me ajudou.Nem preciso da antena, lembrei que pude ajudar outros, e o sorriso dessas pessoas foi de " outro planeta"! ( que nada, foi desse mesmo, ainda bem)Não preciso, mas a antena acaba de captar o barulho do mar, e com ele, consigo lembrar de sentir as várias amizades que fiz quando estava na Terra. Os risos, as piadas...Mas que antena chata... ela fica me lembrando muitas coisas boas pra pôr nos classificados.. tá bom já sei!!Tá, escrevi nos classificados... amizades... sorrisos... OK tudo escrito.Ah... quer saber... não vou botar nada nos classificados.Tô pegando o próximo foguete pra Terra...Em tempo, minha casa não está mais pra locação, muito menos à venda!Sou otimista, as coisas boas valem mais que as ruins... vou voltar pra minha terrinha chamada Terra.Fui... quer dizer, "voltei"!

Diego Sandins.

Aniversário

Olá, pessoal... Como muitos já devem estar sabendo, hoje, dia 13 de agosto de 2010, nós estamos completando nosso primeiro ano de vida. Essa data é muito importante para nós. Foi o dia em que o estatuto do blog foi definido... o dia em que o último passo para o blog ir ao ar foi dado. Um sonho comum de alguns bons amigos teve 9 meses de gestação para em agosto do ano passado se tornar realidade. É incrível a receptividade que tivemos de vocês. Idéias, ajudas, discussões... de adolescentes estudantes do ensino fundamental a doutores professores de universidades... todos lendo O Clóvis. O blog é isso... fruto de uma vontade de nos doarmos a vocês. É de graça... não ganhamos nada com isso, mas estamos religiosamente escrevendo. Mesmo quando ninguém lê, sempre há um novo texto para vocês. Hoje, mais do que nunca eu digo: O Clóvis veio pra ficar... e por muito tempo. Espero que mesmo depois de nós e de vocês ele ainda esteja aqui.
A literatura de Luciano; as prosas poéticas de Danielle; as reflexões musicais de Diego; as críticas sociais de Bruno; e meu sarcasmo de praxe estarão agora sendo somados com o talento de André e Sandro. Espero que os recebam tão bem quanto a nós. Nosso blog acredita que a palavra pode transfomar pessoas, vidas. E que devemos dar algo às pessoas em retribuição ao dom que recebemos. Talvez um dia, quem sabe, sejamos fonte de inspiração a outros que nos inspirarão ainda mais.
Podem ter certeza que estaremos sempre aqui... pensando e os fazendo pensar conosco.
Obrigado por nos manter vivos. Vocês são o motivo disso tudo.

Como editor nesse primeiro ano, um abraço em nome de todos do blog:
Danielle Ribeiro;
Bruno Dutra;
Diego Sandins;
Luciano Fortunato; e
Ulisses Figueiredo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cruel?

Pensamentos existenciais são cruéis com a gente. Podemos nos perguntar porquê vivemos ou para onde vamos... que nem aquele comercial da TVFutura. E geralmente chegamos à conclusão de porra nenhuma. Acabamos por preferir o que mais nos convém para que possamos viver da melhor forma possível. A certeza de que vamos morrer nos leva a imaginar tanta coisa que acabamos nos desvirtuando do real. É cruel isso... se vamos morrer, qual o sentido de viver? Como disse: cruel... cruel conosco mesmos que precisamos desse tipo de resposta e abraçamos a quem nos dá. Mas mais cruel que isso é quando começamos a nos questionar não sobre a nossa existência, mas sobre a existência dos outros, ou melhor, de tudo a nossa volta. Vou explicar: pare agora e perceba tudo a sua volta. As paredes... as cores... o teclado... os sons... os cheiros... a temperatura. Agora siga meu raciocínio. Todas as cores que você está enxergando são provenientes da luz que está iluminando o ambiente aí. Elas apenas batem numa superfície que tem a característica de refleti-las em proporção devida. Nossos olhos, portanto, recebem tal informação, filtra e as envia a nosso cérebro. Então se a cor é da luz, qual é a cor verdadeira das coisas? Não há cor? E se esse filtro estiver defeituoso? O mesmo com o tato... se nossa pele recebe contato e o informa ao cérebro, o que acontece quando apresenta defeito total? No mais, se todos os meus sentidos deixassem de funcionar e enviar informação ao meu cérebro, o que me provaria que tudo a minha volta existe? Se essa existência exterior é dependente dos meus sentidos, desses filtros de informação, quem pode afirmar que tudo que você está vendo, sentindo, escutando e etc. não está sendo manipulado por alguém ou alguma coisa. Ou seja, nesse exato momento eu estou tentado a crer que você, que está lendo esse blog, não existe. É como no filme Matrix, ou no Mito da Caverna, de Platão. Nosso cérebro está indefeso e sujeito à manipulação. Você pode estar morrendo e sucumbindo num hospital bem no futuro e a tecnologia deles o faz acreditar que está vivendo isso só pra amenizar sua dor. Ou nosso universo morreu e nossa tecnologia criou tudo isso para continuarmos existindo...
Tá bom, parei.


Ulisses Figueiredo.