Abro os olhos lentamente, em uma manhã de domingo quase gélida. Fico na cama sentindo a vida despertar em cada músculo de meu corpo, reavivando as sensações da luta cotidiana, travada no trânsito, nos trens, no caminhar frenético pelas ruas da cidade...Tenho que encontrar uma maneira de filtrar, ou melhor, digerir tudo isso e transformar em algo positivo. Em energia motriz para continuar a luta pela sobrevivência, travada nas florestas concretas plantadas por nós homens e que a cada dia invadem vorazmente o verde que nos alimenta. É uma incrível, porém real, contradição de nossa parte, plantamos o que nos destrói, destruímos o que nos alimenta.
Levanto, ou melhor, sento em minha cama, pego minhas armas: notebook, rabiscos em alguns papéis que foram acumulados durante as sensações da semana, caneta, um copo de café. Com estas armas em punho, começo a transposição da matéria e crio minha válvula de escape:
Dias de fúria
Esmagados pelo sórdido cotidiano
Olhos, espectadores silenciosos da angústia
Dias sem cura
A sociedade adoece agonizante
Em sua louca correria
Assisto a tudo calado
Hermeticamente fechado
Sistematicamente isolado
Com meus olhos vidrados
Duvido da felicidade dos sorrisos
Mais parecem retratos amarelados
De vidas sem vida
Duvido da veracidade dos olhares
Mais parecem janelas abertas
Para negras paisagens
Busco um sopro de vida
Em existências precárias
Que nem percebem as feridas
De sua alegria fingida
Pobre de mim
Assistindo a tudo, de mãos atadas
Vivendo a agonia de minha alma calada.
Nada melhor do que transformar vida em poesia. Deixar fluir o que está contido e acumulado em cada entranha do corpo. Só assim consigo gritar o que está calado e ser ouvido bem alto!
E mais uma semana se inicia...A nave vai...
Dias sem cura
A sociedade adoece agonizante
Em sua louca correria
Assisto a tudo calado
Hermeticamente fechado
Sistematicamente isolado
Com meus olhos vidrados
Duvido da felicidade dos sorrisos
Mais parecem retratos amarelados
De vidas sem vida
Duvido da veracidade dos olhares
Mais parecem janelas abertas
Para negras paisagens
Busco um sopro de vida
Em existências precárias
Que nem percebem as feridas
De sua alegria fingida
Pobre de mim
Assistindo a tudo, de mãos atadas
Vivendo a agonia de minha alma calada.
Nada melhor do que transformar vida em poesia. Deixar fluir o que está contido e acumulado em cada entranha do corpo. Só assim consigo gritar o que está calado e ser ouvido bem alto!
E mais uma semana se inicia...A nave vai...
André Fraga.



